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HISTÓRIAS TRANSFORMADORAS

Eneida Bini - executiva





Há exatamente 5 anos eu deixei o cargo de Diretora Geral da Herbalife no Brasil e peguei um avião rumo à Austrália para ficar mais próxima de meu, até então, único filho que lá vivia já havia 5 anos, e aproveitar para também cursar um MBA. Foi uma mudança digamos, para muitos, impensável... POR QUE alguém deixaria um posição tão importante numa empresa? Ainda mais uma MULHER, já que ainda são poucas as mulheres em posição de comando e é tão difícil de chegar lá? e COMO foi essa mudança? Como foi para MIM, que já exercia o papel de CEO, voltar a estudar e buscar fortalecer a relação com meu filho? e O QUE essa mudança trouxe para a minha vida? Que lições aprendi? Bem, para eu poder contar minha história, é preciso voltar um pouco no tempo... Comecei a trabalhar muito jovem, aos 17 anos e aos 22 já assumia meu primeiro cargo de liderança, na área financeira. Tinha, sob minha supervisão 5 pessoas reportando diretamente para mim, todas muito mais velhas do que eu. A partir de então fui assumindo novas responsabilidades como líder, sendo promovida a cargos cada vez de maior importância dentro da organização e atuando em áreas das mais diversas, até tornar-me, aos 41 anos, a presidente da empresa onde trabalhava, na época uma operação com mais de 4.300 funcionários no Brasil. Aos 17 anos, jamais podia imaginar que chegaria a presidente de uma empresa. Eu só pensava em fazer bem o meu trabalho, e poupar para que, assim que completasse 30 anos de trabalho, pudesse fazer uma pausa, pudesse viajar e REALIZAR O SONHO de conhecer o mundo. A evolução na minha carreira aconteceu paralelamente a novas demandas também na minha vida pessoal. Trabalhava de dia e cursava faculdade à noite, casei-me e aos 25 anos já era mãe. Um modelo de vida bastante cansativo e desequilibrado porque além de assumir as novas responsabilidades profissionais, dedicava-me aos estudos, a ser uma boa mãe, boa esposa, dona-de-casa, e acabei assumindo grande parte do ônus para mim, inclusive o financeiro. Mas, como disse, eu já tinha definido para mim que um dia eu faria uma PAUSA, e então tudo seria melhor, eu poderia respirar. Havia ESPERANÇA!!! No entanto, como dizia Margaret Tatcher, “as coisas pioram antes de melhorarem”. No início de minha carreira, eu ainda conseguia tirar 30 dias de FÉRIAS, chegar CEDO em casa, curtir meu filho, mas à medida em que fui assumindo novas responsabilidades passei a acumular férias, viajar constantemente a trabalho, trabalhar 12, 14, 16 horas por dia, nos finais de semana, enfim, passei a viver minha vida em função do TRABALHO! Eu me sentia realizada com os novos desafios, os novos projetos, o reconhecimento da empresa, o meu aprendizado, mas eu estava exausta, super cansada e não estava FELIZ com o estilo de vida que estava levando. Podia DESACELERAR? Talvez sim, mas eu já vinha nesse MODUS OPERANDI havia muitos anos e não conseguia mudar. Talvez ainda não houvesse o POR QUÊ MUDAR.... Até que chegou o momento em que estava prestes a completar os 30 anos de trabalho... então comecei a pensar seriamente em fazer a tão desejada “pausa”, em especial porque eu sentia MUITO, MAS MUITO MESMO A FALTA DE MEU FILHO, e queria muito estar mais próxima dele. Mas COMO PARAR? E DEPOIS, se eu quisesse voltar ao mundo executivo? Qual seria a melhor estratégia? Foi então que decidi fazer um MBA na Austrália, pois achava que seria uma forma produtiva, À LA MODA EXECUTIVA, de fazer um sabático. E assim foi assim que aconteceu... fiz uma pesquisa do curso e conversei com Herbalife sobre o meu desejo de mudar-me no início do ano de 2008. Já no 2º. Semestre estava deixando o Brasil rumo à Austrália. Foi o meu ROMPIMENTO com o MEU ESTILO DE VIDA DE TANTOS ANOS e o INÍCIO de um NOVA ETAPA NA MINHA VIDA. Quando cheguei à Austrália, exceto é claro pelo meu filho, ninguém mais sabia quem eu era, o que eu tinha sido (assim, como a maioria de vocês, não é mesmo?). Para os meus colegas de universidade e professores, eu era apenas mais uma ALUNA DA UNIVERSIDADE e tratada da mesma forma como todos os demais. Nunca me esqueço de meu primeiro dia de aula quando fui vestida com blusa e calça social, salto alto, toda arrumada e com pinta de “executiva”, enquanto meus colegas estavam à vontade de jeans, sapatos confortáveis... alguns chegaram para mim e perguntaram se eu era alguma professor da universidade.... No dia seguinte, advinhem... fui de jeans, camiseta e uma rasteirinha, é claro. Não me esqueço também da primeira reunião para fazer nosso primeiro trabalho em grupo. Perguntei quem seria o líder do grupo (lógico, na expectativa de que fosse escolhida) e recebi a resposta contundente de uma colega, que depois se tornou minha melhor amiga, de que ali não haveria líder. No trabalho em equipe cada um tinha que fazer a sua parte, de acordo com o que fosse combinado pelo grupo. Meu segundo, digamos, CHOQUE DE REALIDADE. Muitas vezes essa amiga me dizia, “Eneida, aqui você não é CEO. Vê se desliga esse "programa mental" de CEO que então fica mais fácil a gente trabalhar como equipe”. E foi o que eu busquei fazer. Busquei entender o meu comportamento, passei a pedir feedback e como não havia hierarquia, meus colegas da universidade falavam o que achavam de mim, com comentários nem sempre muito agradáveis. Passei a me abrir mais, falar e ouvir mais sobre mim, me interessar pelos outros, e com isso desenvolvi amizades, uma relação que passei a valorizar e nutrir. Posso dizer que passei por um processo de “desintoxicação” e descompressão que foi super valioso para mim. Apesar da carga de trabalhos intensa do MBA, me sentia mais leve, mais feliz, renovada e tudo isso ajudou também no meu relacionamento com meu filho que, por coincidência, na mesma época, também estava cursando um mestrado. Minha experiência na Austrália me mostrou o quanto eu estava fora da realidade em termos de ego, relacionamentos e qualidade de vida. O contato com outras culturas fora do Brasil me mostrou o quanto trabalhamos em um ritmo insano, desnecessariamente estressante e com uma demasiada carga sobre as mulheres. Quando trabalhava como executiva, havia algumas mulheres que vinham falar comigo e diziam “Admiro você, Eneida, porque você sim é PODEROSA!” Poderosa, eu? Por que será que dizem que sou poderosa? Afinal, o que é ser poderosa? Será que ser poderosa é fazer parte da lista das 100 mulheres mais poderosas do mundo da Forbes? O que acontecerá com as mulheres que fazem parte da lista depois de deixarem a liderança das empresas ou dos países para os quais trabalham? Deixarão de ser poderosas? Será? Hoje eu vejo que ter poder, ser "ponderosa", é ser verdadeiramente DONA DE SI, é ter controle da própria vida, e não deixar que o trabalho, uma empresa, o dinheiro ou alguém tenha controle sobre você. É ter a possibilidade de fazer aquilo que gosta, que te faz feliz, poder explorar e realizar-se em todos os aspectos da vida, não apenas o profissional. Aprender e dominar não apenas uma área do conhecimento, aquela que está relacionada à carreira, mas buscar o autoconhecimento, o autocontrole, o crescimento pessoal através do aprendizado com os outros, e através de novas experiências de vida. Para ser poderosa não é preciso um montão de dinheiro, mas ter a capacidade de produzir o necessário financeiramente, seja como executiva ou empreendedora, para guardar uma parte e gastar outra naquilo que te faz melhor, melhor em relação a si mesma. Ser poderosa é ser feliz, é amar, ser amada, seja por uma alma gêmea, um filho, uma amiga, um parente... é poder realizar sonhos, é saber cuidar de si, não só da aparência externa, é cuidar do próximo, dos relacionamentos, é ser independente!!! Esse poder está em todos nós, não é privilégio apenas de quem está no topo, no comando. No meu caso, a mudança que promovi em minha vida ao deixar o cargo de presidente e perseguir o meu sonho de viver ao lado de meu filho na Austrália e cursar um MBA foi A MELHOR DECISÃO EXECUTIVA QUE JÁ TOMEI. Eu aprendi muito sobre mim mesma e pude resgatar o controle sobre minha vida e felicidade. Hoje me sinto mais poderosa do que nunca! Meu trabalho continua exercendo um papel importante na minha vida, mas não mais importante que minha família, meus amigos, minha saúde, meu bem-estar físico e emocional. Sou consultora de empresas. Faço minha própria jornada e trabalho apenas para empresas e em projetos nos quais me identifico. Estou bem assim e ainda mantenho vínculo com o mundo corporativo ao qual me dediquei durante 30 anos. Hoje eu entendo e acredito que o mundo corporativo pode ser diferente, menos angustiante, mais sustentável na medida em que sejam promovidas mais interações interpessoais em todos os níveis, mais contato e maior valorização do ser humano e das relações, através de uma gestão mais humana e carinhosa. Afinal, as empresas são feitas de gente, gente como a gente, gente que também quer ser livre e feliz. Felicidades a todos nós!! 


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