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HISTÓRIAS TRANSFORMADORAS

Déa S. Melo - comunicadora social





Por Uma Comunic-Ação Criativa “A pombinha voou, sentou Foi embora e me deixou Pombinha quando tu fores Me escreve lá do caminho Se não tiver papel Na asa do passarinho” (Cantiga de roda Com Quilombolas do Oeste do Pará; DP) Taí, essa pombinha é uma comunicadora social por excelência! São imagens como esta, que dão sentido e significado aos diplomas de Jornalismo, Publicidade, Administração da Cultura e outros estudos, narrativas, vivências e imagens das culturas tradicionais dos povos e que têm guiado minhas pesquisas e práticas comunicacionais; e há doze anos originaram a metodologia - Comunic-Ação Criativa – Narrativa, Vivência e Imagem. Entre salas de aula, barcos ao rio, caminhos de florestas, rodas de danças e cantos, pombinhas e outros tantos veículos, meios e suportes de comunicação social nada convencionais, confiei no instinto, desafiei o impensável e investi no imaginário, por outras comunicações possíveis. Havia uma ausência nos cursos acadêmicos, uma lacuna por preencher, um elo que construísse pontes e ampliasse a compreensão e a prática de uma comunicação humanizadora. Com letras, mas também com artes; com fontes seguras de informação no concreto mas também no sensível. Uma lógica quase sempre obscura, digna de desconfiança entre meus pares e no mundo a minha volta. Tive que convocar toda minha obstinação; toda minha coragem de guerreira amazônida, para investigar e ao mesmo tempo conciliar o diálogo fora e dentro de mim, entre as ferramentas e os meios tecnológicos com essas linguagens humanas e artísticas de comunicação e informação. Mais do que obstinação, virou devoção e deslumbre consciente, porque enfim, a lacuna foi preenchida. Cheguei ao elo perdido, à fonte inesgotável da informação - nossas raízes, nossos saberes ancestrais, que conectados com os conhecimentos acadêmicos me guiaram rumo à verdadeira comunicação. Aquela que impulsiona atitudes criativas no cotidiano; que estimula nossas múltiplas inteligências; que coloca nossos pés no chão novamente; que nos faz recordar nossos ciclos e ritmos naturais; que inspiram e conspiram por poesia na prosa . A comunicação que me ajudou a compreender a beleza e a harmonia na aparente dualidade entre a luz e a sombra na fotografia; a estimular reflexão profunda na projeção de um filme e prospectar imagens mais alinhadas com princípios e valores humanos e éticos na atualidade; a fazer da roda de danças sagradas e tradicionais o meu laboratório de Comunicação Social. Descobri que esta comunicação está, por exemplo numa pintura corporal indígena; no tambor ou na saia rodada de uma dança afrodescendente; na fala, no linguajar e no canto caboclos; no mutirão pra fazer farinha; no teçume da rede de pesca ou no embalo de uma rede de dormir; na cuia que macera o banho de cheiro; no brinquedo feito da palmeira de miriti; na benzeção e conhecimento da mulher que parteja vidas. Todas, tradições da cultura dos povos do mundo não apenas vistas, pesquisadas, mas sobretudo, experienciadas. Uma comunicação que me ensina cotidianamente a enxergar nas diferenças, a diversidade e não a separatividade; que me dá coragem para seguir dissolvendo fronteiras e barreiras entre as comunicações e me capacita a mediar autonomia, consciência e liberdade por meio de vivências, oficinas, cursos e projetos pessoais e coletivos de Comunic-Ação Criativa. Pela confiança na comunicação transformadora em mim, em ti, no todo - aqui e agora; o futuro que já vivemos. 


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